Autor: Alexandre Pelegi / Imagens: Chequer (coletadas da internet)

Ouvi esse texto no rádio e comentei com minha namorada que se eu conseguisse encontrá-lo na internet, iría divulgá-lo aqui em sua homenagem.

Esse texto aqui está em homenagem a minha namorada e a principal causa que ela tanto defende. Eu também gosto muito de animais e muito do que penso está logo abaixo.

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Respeito quem não gosta da companhia de animais, mas não aceito quem os maltrata, assim como detesto pessoas que compram cães da moda apenas para cenas explícitas de exibicionismo.

A cada vez que assisto às deploráveis cenas da Farra do Boi em Santa Catarina fico a me perguntar: somos de fato humanos? É normal ter alegria através da imposição da dor e da tortura a um animal indefeso? A polícia que faz vista grossa a tal tipo de crime, não é semelhante à mesma polícia que beneficia o tráfico de drogas ou a exploração sexual de crianças e adolescentes?

Tenho cá comigo que quem é capaz de judiar de bichos está a um passo de fazer coisa muito pior. O prazer obtido através da dor é uma das piores perversões humanas.

Me assustei ao saber que alguns chineses sádicos vendem na internet vídeos com uma misteriosa mulher cujo prazer é furar com o salto de sua sandália a cabeça de um gato. O fato levou entidades de defesa dos animais a pressionar o governo da China a criar uma lei específica para punir pessoas que matam ou maltratam animais, coisa inexistente naquele país. Com quem estará a razão? Com quem consome estes vídeos perversos, ou com quem condena a prática doentia?

Esta é uma questão que ainda está muito longe de ser compreendida. Toda vez que falo de animais, aparecem aqueles que utilizam o indefectível argumento de que num país onde milhões de crianças passam fome é um absurdo se preocupar com bichos. Geralmente quem fala assim, além de não ter gato nem cachorro em casa, não faz absolutamente nada para reduzir a miséria e o sofrimento das crianças abandonadas deste país. São os adeptos da crítica do avesso, que adoram encontrar melhor utilidade para o dinheiro alheio.

O problema é de consciência. Podemos ser bons de várias maneiras, caridosos de várias formas, solidários em muitas dimensões. Mas em qualquer opção, seremos candidatos a nos tornarmos pessoas melhores e menos egoístas.

Assisti recentemente ao filme “Amor sem Fronteiras”, onde um médico americano dedica sua vida a prestar assistência e socorro a vítimas da insanidade humana em países conflagrados – Etiópia, Camboja, Chechênia. Um praticante da Farra do Boi achará o médico personagem do filme um idiota sem igual, que deixa o conforto de sua pátria para prestar socorro a gente desconhecida…

Quem gosta de animais está a um passo de perceber que uma das mais valiosas lições é a de que podemos ser melhores de muitas maneiras. Seja ajudando uma criança esfomeada na longínqua África, seja lutando contra a pesca das baleias, ou ainda amenizando o sofrimento de cães e gatos de rua.

O mundo está tão repleto de crueldades que a boa notícia é exatamente esta: podemos ajudar o planeta a ser melhor e menos cruel, e nesse processo aprender a virtude da compaixão. Esta é a grande lição.

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