O tempo vai passando, as eleições se sucedendo, e ao invés de se fortalecer no aprendizado do exercício da cidadania, a democracia brasileira se enfraquece no fenômeno do esquecimento. 

Faz um ano que Roberto Jefferson dedurou o esquema do mensalão. Nesse meio tempo, e uma série de CPIs e depoimentos depois, a sensação que temos é de que nada de positivo aconteceu. 

O presidente Lula tem chances reais de vencer a eleição. Mas quem conhece política sabe que, uma vez reeleito, ele não terá sossego um dia sequer. O povo elegerá e, no dia seguinte, os políticos o inviabilizarão. Quem tem razão? 

Na pátria do esquecimento, preocupada com a bolha no pé de Ronaldo Fenômeno, quase ninguém se lembra de Orestes Quércia. Talvez por isso mesmo, o político paulista tornou-se o fiel da balança no frágil jogo de poder entre tucanos e petistas. Quem viu, quem votou… A ideologia que um dia separou partidos tão díspares desapareceu, e hoje eles se igualam na sedução ao quercismo. 

Há quem cobre coerência do eleitor. Há quem insista que votar em alguém, desde que do bem, é obrigação. Há quem sonhe que, nesse formato, com o tempo seremos grandes… No país do esquecimento, o voto não ensina, antes legitima a malandragem. No país do faz-de-conta, o voto não determina, apenas elimina nossa sensação de que poderíamos ter feito mais pelo país. 

Eu prefiro lembrar, apesar de às vezes ser mais cômodo esquecer. Mesmo que isso me leve a descobrir, como já pressinto, que será duro encontrar alguém em quem votar em outubro. Aos que me condenam, ofereço meus ouvidos e minha atenção. Alguém pode me convencer do contrário? Aviso: será difícil!

 

Seja alguém, vote em ninguém!!!