Muita gente passa metade da vida dizendo o que vai fazer, e a outra metade justificando porque nada fez.
Se metade do tempo que se perde com desculpas fosse empregado para descobrir maneiras de fazer as coisas corretamente, o mundo estaria bem diferente.

Vou contar uma pequena história de um sujeito americano que poderia ser considerado um fracasso no total, se não tivesse a seu favor a perspectiva do tempo, para julgar quão valiosas foram suas tentivas.
Seu nome era John perpont. Quando morreu era um fracasso consumado.

Ele até que começou bem. Formou-se na universidade da qual seu pai havia sido um dos fundadores, e com entusiasmo e idealismo, optou pela carreira de professor.
Logo, se revelou um fracasso como professor: era muito mole com os alunos…

Mudou de ramo : tentou ser advogado.
Novo fracasso. Era generoso demais com os clientes e excessivamente escrupuloso, o que o levava a defender sempre causas quem não podia pagar.

Como terceira opção, Pierpont tentou um armazém de secos e molhados. Novo fracasso também como comerciante: não resistia aos pedidos de fiado e praticava preços muito generosos.
Entre uma profissão e outra, Pierpont escrevia poesia. Apesar de publicadas elas não rendiam direitos autorias suficientes para poder viver.

Pierpont acabou se transformando em pastor protestante, foi ordenado com estudos de teologia em Harvard, e foi dirigir uma paróquia em Boston. Pierpont tinha posições a favor da “lei seca” e contra a escravidão. Essas posicões o colocaram em confronto com membros influentes da congregação e foi obrigado a renunciar. Novo fracasso , também como pastor.

A política parecia ser a atividade ideal para um homem como ele. Foi indicado como candidato a governador de Massachusets, pelo Partido Abolicionista.
Não deu outra : perdeu a eleição.

Sem desanimar candidatou-se ao senado pelo partido “terra livre”…
E perdeu a mais uma vez a eleição.
Agora Pierpont era um fracasso indiscutível.
Com a guerra civil em andamento, Pierpont apresentou-se como capelão ao 22º Regimento de Voluntários do estado.
Quinze dias depois pediu baixa, ao descobrir que não tinha estomago para a guerra. Aos 76 anos era um fracasso também como capelão.

Alguém lhe conseguiu um emprego humilde num departamento do Ministério da Fazenda em Washington, e o nosso herói passou os últimos dias de sua vida abrindo e fechando gavetas de arquivos. Função para a qual, aliás, não revelou grandes talentos.
Morreu como um perfeito fracassado.
Sobre seu túmulo em Massachusetts há uma pequena lápide.
John Pierpont.
Poeta, pregador, filósofo,filantropo.

Com a perpectiva do tempo, pode-se ver, hoje, que afinal de contas, Pierpont não foi um fracasso assim tão absoluto.
– O homem empenhou-se por justiça social;
– Lutou, o mais que pode, para transformar-se num homem digno ;
– Engajou-se nas maiores questões do seu tempo e jamais perdeu a fé no poder da vontade; nisso sim teve sucesso.

E na verdade muitas de suas tentativas que ao calor da hora pareciam fracasos retumbantes , acabaram tendo melhor sorte:
– A educação foi reformada
– Os procedimentos legais modificaram-se
– Criaram-se leis de proteção ao consumidor
– E , claro, a escravidão foi abolida e feita a reforma agrária.

A história de Pierpont nada tem de excepcional. Há inúmeros reformadores em todos os tempos que não tem busto praça pública e nem estão nos livros de história.
Cada um tem suas histórias de sucesso, e também de fracassos.
O importante para cada um é estar em paz com sua consciência, estar envolvido e atuando nas questões do seu tempo.
Nosso herói tem um grande sucesso que pelo menos, milhões de pessoas, ou melhor bilhões de pessoas conhecem…
Numa certa tarde de inverno Pierpont rabiscou numa partitura as notas de uma canção, pensando em oferecer um presente original a sua familia. E assim fazendo ele nos deixou um presente eterno, um presente fantástico e invisível de natal que simboliza a alegria;
A música não fala de jesus e nem de Papai Noel.

 

John Pierpont compôs Jingle Bells.

 

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